Em 05/01/2017 às 16h00

Pesquisa revela conhecimento dos estudantes sobre o Patrimônio Histórico de Cataguases

Os resultados da pesquisa foram divulgados durante uma mesa redonda no CATS, realizado em outubro de 2016

Os resultados da pesquisa foram divulgados durante uma mesa redonda no CATS, realizado em outubro de 2016

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A arquiteta Elisabete Kropf promove gratuitamente várias palestras em escolas do ensino médio de Cataguases, públicas e privadas, e também na FIC (Faculdades Integradas de Cataguases) com o tema "Preservação do Patrimônio Cultural de Cataguases: O turismo sustentável e os bens modernistas tombados". A iniciativa é parte do Projeto CATS - Congresso de Arquitetura, Turismo e Sustentabilidade, do qual ela é fundadora e coordenadora geral há vários anos - sendo que a última edição do evento aconteceu em outubro de 2016. O Congresso é executado através Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com o patrocínio das empresas Energisa, Zollern e Bauminas.

Elisabete conta que durante suas palestras ela apresenta aos alunos um pequeno histórico sobre a fundação de Cataguases, seus monumentos tombados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), explicando temas como patrimônio, preservação, tombamento, histórico e conceituação do turismo, entre outros. "Em 2016, antes das palestras, realizei uma pesquisa para saber o grau de conhecimento desses alunos em relação a tombamento e preservação dos imóveis tombados da cidade. A pesquisa foi elaborada em parceria com a FIC, através dos professores Thiago Bittencourt e Bruno Carlos Alves Pinheiro, e das alunas Roberta Vargas, Raquel Reis, Tays Costa e Débora Silva, além da empresa Auctor", conta a arquiteta.

Segundo ela, os resultados, bastantes surpreendentes, foram divulgados durante a mesa redonda "Cataguases e o Modernismo: Cultura, Identidade e Patrimônio - Desafios e Perspectivas para a sua Preservação", no segundo dia da última edição do congresso, realizado em outubro do ano passado. Participaram dela, além de Elisabete, Célia Corsino (museóloga e superintendente do IPHAN-MG), Soraia Farias (arquiteta e diretora de conservação e restauração do IEPHA-MG) e Marcos Olender (arquiteto e professor da UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora).

imageOs resultados
A arquiteta Elisabete Kropf entrevistou 1654 alunos do ensino médio, sendo 1425 de escolas públicas e 229 de particulares, a grande maioria moradoras de Cataguases há mais de 10 anos, sendo que 59% do público pesquisado era do sexo feminino. Segundo ela, 88% dos estudantes pesquisados sabiam que na cidade há algum prédio tombado, sendo o Cine Edgard e o Colégio Cataguases os imóveis mais mencionados. "Quando perguntamos sobre quais residências os alunos conheciamm como tombadas, 35% dos alunos das escolas públicas e 20% das particulares não tinham conhecimento de nenhum imóvel particular tombado. Uma vez que a maioria relatou que estuda na cidade desde o ensino básico, isso nos faz refletir se a educação patrimonial no ensino básico está mesmo funcionando", observa.

Para ela, "como a grande parcela dos alunos desconhece alguma residência tombada, e como as casas não possuem placas de identificação, fica mesmo difícil para a população perceber que aquele determinado imóvel é tombado". Outro dado significativo surgiu quando foi perguntado aos alunos sobre a finalidade do IPHAN. 

Segundo Elisabete, 70% deles entendem que o instituto ajuda a preservar o patrimônio, enquanto que menos de 40% sabe que ele é o responsável pelos tombamentos. Mas 20% dos alunos de escolas públicas e 14% de alunos das instituições particulares sequer sabem o que é o IPHAN. "Isso nos faz pensar sobre como poderíamos considerar esses mesmos percentuais a respeito do IPHAN em relação às famílias destes estudantes ou mesmo como seriam os resultados desta mesma pergunta entre os alunos do ensino básico", analisa. 

A pesquisa da arquiteta Elisabete Kropf também mostra a relação dos estudantes com o turismo patrimonial. O tema surgiu quando foi perguntado aos alunos o que eles achavam sobre Cataguases receber turistas de outras cidades para conhecer os imóveis tombados. A grande maioria (mais de 80%) acredita que o movimento destes turistas ajuda na economia local.

Essa mesma pesquisa foi aplicada também para 450 alunos de graduação da FIC, e os resultados foram ainda mais preocupantes, segundo a arquiteta. "Ficou demonstrado que 15% dos alunos de nível superior não conhece nenhum dos prédios tombados apresentados e 49% não conhece nem mesmo o Colégio Cataguases", conta ela, acrescentando que "este dado nos preocupa e faz refletir se existe educação, divulgação e identificação adequadas dos patrimônios de Cataguases para os alunos de nível superior e para moradores de outras cidades que frequentam as faculdades da cidade".

A mesma pergunta feita aos alunos do ensino médio sobre a finalidade do IPHAN foi repetida para os estudantes da FIC. Os resultados, segundo Elisabete, apontaram que a porcentagem dos que acham que o IPHAN prejudica a cidade (7%) é mais de três vezes maior que a do ensino médio (2%), e os que acham que ele ajuda a cidade (65%) é 6% inferior ao que responderam os estudantes do ensino médio (71%). 

"A gente pode concluir com esses dados que os alunos que estudam na FIC e que não moram em Cataguases não têm o mínimo de conhecimento a respeito da cidade e seu tombamento, usando a cidade sem conhecê-la. E também, à medida em que há um aumento na idade dos alunos, comparando-se ensino médio e alunos da FIC, o conceito em relação ao IPHAN piora. Acredito que isso ocorra pelo fato de esses alunos já terem tido alguma experiência com o instituto ou terem tido conhecimento de alguém que já tenha tido, e que tenha ficado insatisfeito com essa relação", observa Elisabete.

Para ela, esta pesquisa teve como principal meta alertar a sociedade e também o poder público para que sejam implementados programas e projetos eficazes destinados à preservação da cidade, incorporando suas potencialidades turísticas e de desenvolvimento sustentável, com o envolvimento das três esferas de governo, as entidades representativas e a participação cidadã. "É necessário acercar a população do meio em que ela vive, fazer com que as pessoas conheçam a história de sua cidade, e que, a partir daí tenham pertencimento por ela, além de socializar a necessidade das ações referentes ao patrimônio e os benefícios sociais e econômicos que podem trazer", lembra a arquiteta, para quem cultura e turismo podem ser geradores de emprego e renda, "permitindo a criação de amplo espectro de atividades fomentadoras de trabalho em diversos setores como a prestação de serviços, o turismo e o lazer, e que encontra no patrimônio histórico um de seus principais pilares de atratividade". 

Segundo a arquiteta Elisabete Kropf, o patrimônio, a cultura e a memória de uma cidade são traduzidos em inúmeras formas, desenhos e elementos urbanos. "Viver em contato com estes elementos permite construir o legado cultural e a sensação de continuidade, sem deixar de vivenciar o presente", finaliza. A apresentação completa da pesquisa pode ser encontrada no site do www.catscataguases.com.br

O CATS é um projeto executado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, patrocinado pela Energisa, Zollern e Bauminas.

Autor: Cristina Quirino

Tags: IPHAN, patrimônio cultural, tombamento, arquitetura





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