Cataguases e várias prefeituras cortam despesas para equilibrar as contas


Cataguases e várias prefeituras cortam despesas para equilibrar as contas

Os cortes anunciados nesta semana pelo prefeito de Cataguases, José Henriques, integram um cenário de ajustes nas contas públicas que também atinge outros municípios de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, como comprova pesquisa feita pela reportagem. As medidas variam entre exonerações, redução de terceirizados, revisão de contratos e restrições a despesas administrativas.

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Em entrevista ao Programa Voz Comunitária, na sexta-feira, 30 de outubro, José Henriques atribuiu o aperto financeiro à redução dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e à retenção de mais de R$ 5 milhões desse Fundo, relacionada a uma cobrança tributária de aproximadamente R$ 20 milhões. Segundo ele, o objetivo dos cortes é preservar o pagamento dos servidores e os serviços essenciais. (Leia matéria completa clicando no link ao final deste texto)

Na região, Astolfo Dutra também vem adotando medidas de contenção. O prefeito em exercício, Reginaldo Costa, conhecido como Cebolinha, revelou que a administração está fazendo cortes para adequar as despesas à realidade financeira do município.

Em Ubá, o ajuste incluiu mudança no expediente de setores municipais para reduzir custos operacionais. Já em Juiz de Fora, reportagens registraram desligamentos de terceirizados, embora o alcance e a motivação dos cortes ainda dependam de esclarecimentos oficiais. Em audiência na Câmara, a administração informou que arrecadou R$ 400 milhões abaixo da previsão entre janeiro e agosto.

Outras cidades mineiras apresentam situações semelhantes. Passos anunciou desligamentos, redução de terceirizados e corte de gastos com horas extras. Em Catas Altas, o prefeito informou cortes de pessoal e do transporte técnico-universitário após revelar que a expectativa de arrecadação havia caído de R$ 98 milhões para aproximadamente R$ 78 milhões. Sete Lagoas também registrou dispensa de contratados e medidas de contenção.

Governador Valadares e Jenipapo de Minas decretaram calamidade financeira e estabeleceram restrições a despesas e revisão de contratos. Ouro Preto adotou contingenciamento, enquanto Cássia restringiu horas extras, viagens e gastos administrativos. Ouro Branco anunciou redução dos salários do prefeito, da vice e dos secretários, e Nova Serrana limitou contratações e outras despesas.

No Espírito Santo, Cachoeiro de Itapemirim contingenciou R$ 77,1 milhões e estabeleceu restrições a compras, contratações, diárias e horas extras. Em Pedro Canário, a suspensão de novas contratações e horas extras foi determinada pelo Tribunal de Contas diante do crescimento das despesas com pessoal.

No Rio de Janeiro, Quissamã anunciou exonerações, redução de contratos e reestruturação administrativa, alegando oscilação das receitas, principalmente dos royalties do petróleo. Petrópolis reduziu cargos comissionados e despesas de custeio, enquanto Itaperuna informou o desligamento de aproximadamente 250 pessoas entre comissionados, ocupantes de cargos de confiança e prestadores contratados por RPA.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que o crescimento das despesas obrigatórias e a insuficiência de financiamento de políticas públicas pressionam os orçamentos locais. A entidade recomenda planejamento financeiro e acompanhamento dos recursos efetivamente recebidos antes da ampliação de gastos permanentes.

A CNM também apresentou, durante a discussão da ampliação da isenção do Imposto de Renda, uma estimativa de perda potencial de até R$ 9,5 bilhões anuais para os municípios, considerando efeitos sobre o FPM e o imposto retido pelas próprias prefeituras. O valor representa uma projeção divulgada em 2025, e não uma perda já comprovada em 2026. A entidade cobra compensações que evitem prejuízos aos cofres municipais.

Apesar dos alertas, os dados não indicam queda uniforme do FPM. Segundo a CNM, a terceira parcela de setembro recuou 1,79% em valores nominais em relação à mesma parcela de 2025, mas o total daquele mês cresceu 12,94%. A diferença reforça a necessidade de distinguir oscilações dos repasses, bloqueios específicos e problemas próprios de cada administração.

Os casos mostram que Cataguases não enfrenta sozinha a necessidade de ajustar despesas. As causas, porém, variam entre os municípios e incluem arrecadação abaixo do previsto, dívidas anteriores, aumento de custos e dependência de transferências e receitas sujeitas a oscilações.

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Foto: Arquivo