“Poéticas do Cotidiano” é o nome da série de autoria da fotógrafa Thais Andressa que pode ser vista no Museu Regional de São João del-Rei. A mostra permanece disponível para apreciação de 28 de fevereiro a 10 de maio de 2026. Ao todo, estão expostas obras produzidas entre os anos de 2020 e 2021 pela autora, que buscou na literatura, na memória e na poética de sua casa a inspiração para a concepção dos trabalhos.
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O ensaio fotográfico “Poéticas do Cotidiano” foi concebido a partir da união entre fragmentos de poesia, paixão pela imagem e memórias, sendo resultado de um movimento íntimo de busca por refúgio e reinvenção, no qual a fotografia se revelou não apenas como linguagem visual, mas como ferramenta de escuta interior.
Objetos simples do ambiente doméstico como barco de papel, jornal, calendário e relógio, são deslocados de sua função utilitária e elevados à condição poética. Isso reforça a proposta da exposição de encontrar o extraordinário no comum. A flor (margarida) também aparece em diferentes composições, ora refletida, ora projetando sombra. Ela simboliza delicadeza e, também, o tempo como presença sensível.
A mostra estabelece diálogo com a literatura, como destaca o jornalista Alisson Ferrarezi, que acompanha o trabalho da artista há vários anos. Fragmentos de poemas de Orides Fontela, Manoel de Barros e Ferreira Gullar acompanham as obras, ampliando as camadas de sentido e aprofundando a experiência sensível do visitante, destaca. Segundo Thaís Andressa, a palavra poética surge como extensão da imagem, criando uma travessia entre fotografia e palavra. A fotógrafa ainda complementa: “a exposição transforma o espaço doméstico em território simbólico, onde a ausência da cor intensifica contrastes, silêncios e percepções.”

Thais retrata elementos que conduzem o olhar para a luz, sombra e detalhes que muitas vezes passam despercebidos. “As fotografias não seguem uma narrativa linear; são fragmentos contemplativos que convidam o público a desacelerar, reconhecendo a potência poética presente no cotidiano”, revela a artista.
Na narrativa, a casa, cenário central da série, é apresentada não como abrigo físico, e sim como extensão da memória. “Poéticas do Cotidiano transforma o espaço através de “desenhos de luz”, tecidos por projeções, formas e sonhos. “Quero que esta exposição proponha uma reflexão sobre a capacidade de transformar recolhimento em expressão e memória em arte”, completa.


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Texto e fotos: Alisson Ferrarezi


